Património Cultural: avaliação e prevenção de riscos turma 1
Apresentação
A presente ação de formação é da iniciativa da Fortaleza de Sagres | Museus e Monumentos de Portugal E.P.E. , em parceria o CFAE Rui Grácio. Inscreve-se na necessidade de desenvolver abordagens integradas sobre o património cultural e a sua relevância social, sensibilizando para os diversos riscos aos quais está exposto, incluindo os que decorrem de situações de catástrofe, conflitos militares e exposição aos efeitos das alterações climáticas. Pretende divulgar junto dos participantes a iniciativa Blue Shield no âmbito da salvaguarda de património cultural, sendo abordados aspetos associados à avaliação de riscos e respetiva prevenção. Coincidindo esta formação com o Dia Europeu do Mar, irá abordar de modo particular o património cultural subaquático, que constitui um importante recurso no Algarve, encontrando-se exposto a uma especial vulnerabilidade. Em paralelo, procura contribuir para uma maior consciência e exercício de direitos cívicos e para a promoção do bem-estar individual e coletivo. A temática revela-se de profundo interesse para os professores de todos os níveis de ensino, em especial para os que lecionam a componente de Cidadania e Desenvolvimento, Estudo do Meio, História, História de Arte e Ciências do Ambiente. Pretende-se com esta ação de formação que os participantes compreendam a importância da preservação do património cultural para a Sociedade; comuniquem sobre o Património Cultural de forma consciente e informada e possam agir, intervir e decidir para promover a sua preservação.
Destinatários
Educadores de Infância, Professores do Ensino Básico, Secundário e Educação Especial; Técnicos das áreas da cultura, educação e património; municípios, ONG, associações culturais e educativas
Releva
Despacho n.º 5741/2015 - Enquadra-se na possibilidade de ser reconhecida e certificada como ação de formação de curta duração a que se refere a alínea d) do n.º 1 do artigo 6.º do Decreto-Lei n.º 22/2014.
Objetivos
- divulgar a iniciativa Blue Shield; - promover a reflexão sobre o tema da preservação do património cultural; - conhecer e valorizar o património cultural subaquático existente na costa algarvia; - fomentar uma melhor gestão do património marítimo e do que está associado às zonas costeiras; - consciencializar para oportunidades e desafios que o património cultural potencia; - promover espaços de diálogo para a literacia do património marítimo; - reforçar a articulação entre Educação, Ciência, Cultura e Ambiente.
Conteúdos
No seguimento da aprovação internacional da criação do comité português do Escudo Azul (Blue Shield que decorre da Convenção de Haia) propõe-se uma abordagem diacrónica sobre os riscos em património cultural, a sua avaliação e a sua entrada na agenda internacional, bem como o estado da arte e as perspetivas de futuro no que respeita à avaliação e prevenção de riscos em património cultural em particular em Portugal, à luz das melhores práticas europeias. Entre as diversas categorias de Património Cultural, reconhecer o Património Cultural Subaquático (PCS) em especial como um recurso frágil, finito e não renovável. Acresce que, fruto do meio onde se encontra e da dificuldade em chegar-lhe, é, muitas vezes, invisível e desconhecido. Com foco, sobretudo, no Algarve, a formação pretende analisar as particularidades desta categoria de património, reconhecendo o impacto das alterações climáticas no património arqueológico subaquático e costeiro. Pretende-se, assim, oferecer aos docentes ferramentas para integrar a literacia do património marítimo no contexto escolar, sensibilizando os alunos para a preservação desta herança histórica comum. PROGRAMA: 15h00 – Receção aos participantes inscritos 15h10 – Os patrimónios associados à Fortaleza de Sagres e à sua Envolvente – Ana Cláudia Silveira (Fortaleza de Sagres / MMP) 15h20 – Património Cultural: avaliação e prevenção de riscos – Ana Paula Amendoeira 16h30 – Intervalo para café 17h00 – O caso específico do Património Cultural Subaquático do Algarve – Gonçalo Lopes (Universidade do Algarve – CHAM / NOVA)) 17h30 – Perguntas e respostas / Debate 18h00 – Encerramento do seminário BIBLIOGRAFIA ABULAFIA, David (2020). The Boundless Sea: A Human History of the Oceans, Penguin Books. CHOAY,Françoise(1992). L’Allégoriedu Patrimoine. Paris: Editions du Seuil. MANTEIGAS, Rita (2015). Lagos na Rota da Escravatura. Lagos: Município de Lagos. QUEROL, M.A. (2010). Manual de Gestión del Patrimonio Cultural. Madrid: Akal. ROMÃO, X.; PAUPÉRIO, E.; PEREIRA, N. (2017). “Avaliação Expedita de Risco Sísmico de bens culturais imóveis” in Conservar Património, nº 25, pp. 23-36.
Metodologias
Componente teórica com base na seguinte estratégia: apresentações sobre as várias temáticas e apresentação de estudos de caso. Componente prática com base na seguinte metodologia: visita orientada a exposição e sessão de conversa/debate para questões, a transposição destas questões para o processo de ensino-aprendizagem, desafios de trabalho e parcerias futuras.
Modelo
A ação será avaliada mediante questionário online a preencher pelos formandos (obrigatório). Os participantes procedem a uma breve reflexão escrita online sobre a formação desenvolvida e a sua importância no seu desenvolvimento pessoal e profissional (obrigatória).
Observações
FORMADORES ANA CLÁUDIA SILVEIRA Doutorada em História Medieval pela FCSH/NOVA, com a tese Setúbal, um pólo de poder da Ordem Militar de Santiago no final da Idade Média, à qual foi atribuída, em 2023, uma Menção Honrosa pelo júri do Prémio A. de Almeida Fernandes de História Medieval. É membro da equipa do IEM que integra a Cátedra UNESCO “O Património Cultural dos Oceanos”, liderada pelo CHAM – Centro de Humanidades. Tem publicado trabalhos centrados na organização e desenvolvimento dos espaços litorais, na gestão territorial promovida pela Ordem Militar de Santiago de Espada nos seus domínios, na relação da instituição com outros poderes, nas práticas urbanísticas desenvolvidas e ainda na presença das ordens mendicantes no senhorio espatário. Recebeu, em 2016, o Prémio de História Alberto Sampaio com o trabalho “Lavrar o Mar: a dinâmica da produção de sal em Setúbal no contexto dos salgados portugueses. Etapas de uma afirmação internacional” e, em 2017, foi-lhe atribuído o Prémio Doutor José Silva Maltez do Centro de Investigação Professor Doutor Joaquim Veríssimo Serrão / Câmara Municipal de Santarém pelo trabalho “Testemunhos históricos sobre a evolução da linha de costa em Portugal”. A sua atividade profissional tem-se desenvolvido em torno da carreira docente e como técnica superior, quer na administração local, quer na administração central, exercendo funções relacionadas com a museologia, gestão patrimonial e programação cultural. Atualmente é Diretora da Fortaleza de Sagres. ANA PAULA AMENDOEIRA Historiadora. Mestre em Recuperação do Património Arquitectónico e Paisagístico. Diplomada em Administração de Projectos Culturais pela Fundação Marcel Hicter, Conselho da Europa. Curso de doutoramento em Geografia na Universidade de Paris IV Sorbonne. Bolseira de Investigação da Fundação para a Ciência e Tecnologia. Investigadora Integrada do Centro de Estudos Arqueológicos das Universidades de Coimbra e Porto. Foi Professora convidada da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Membro eleito do Comité Executivo Internacional do ICOMOS, Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios. Membro da representação de Portugal, enquanto país membro do Comité do Património Mundial. Foi presidente do ICOMOS Portugal. Directora Regional de Cultura do Alentejo entre 2013 e 2023, na sequência do resultado dos concursos públicos promovidos pela CRESAP. Vice-Presidente do Conselho Geral da Universidade de Évora. Membro português, eleita por proposta da FCT, do Comité Científico do JPI CH (Joint Programming Iniciative on Cultural Heritage) da União Europeia. Membro do Conselho Consultivo do Instituto Pedra, Brasil, para a conservação e restauro. Membro da Comissão Executiva da candidatura da cidade de Évora a Capital Europeia da Cultura em 2027. Membro da Junta Directiva da Fundação da Casa de Bragança. Vice-Presidente da CCDRAlentejo para a Cultura 2024-2026. Foram-lhe atribuídos prémios e distinções por várias organizações de que se destaca o Prémio Nacional Memória e Identidade 2023 atribuído pela Associação Nacional de Municípios com Centro Histórico. GONÇALO CORREIA LOPES Gonçalo Correia Lopes nasceu em 1990, na Praia da Luz, em Lagos. É licenciado em Arqueologia pela NOVA FCSH, onde também realizou o seu mestrado e doutoramento, ambos sobre construção naval dos séculos XVI a XVIII. É desde 2013 investigador do CHAM – Centro de Humanidades e integra vários projetos de investigação nacionais e internacionais sobre a Expansão Portuguesa no Norte de África. Em paralelo, tem coordenado e participado em várias intervenções arqueológicas urbanas, principalmente em contextos na zona ribeirinha de Lisboa. Em 2022, foi agraciado com o Prémio Almirante Teixeira da Mota, da Academia de Marinha, com a sua tese de doutoramento, intitulada “Boa Vista 1: estudo arqueológico de um navio na Lisboa Ribeirinha (séc. XVII-XVIII)”. Entre 2021 e 2024 foi técnico superior no Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática (CNANS), do Património Cultural, Instituto Público (PC, IP). Em 2024 ganhou um Contrato Individual de Estímulo ao Emprego Científico (CEEC), financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), tendo ingressado no Centro de Estudos em Arqueologia, Artes e Ciências do Património (CEAACP). Atualmente, desenvolve o projeto MUCH Lagos – Maritime and Underwater Cultural Heritage of Lagos, e leciona várias cadeiras de Arqueologia Subaquática, Arqueologia Moderna e Património Marítimo e Costeiro na Universidade do Algarve (UAlg).
Formador
Ana Cláudia Oliveira Silveira
Cronograma
| Sessão | Data | Horário | Duração | Tipo de sessão |
| 1 | 20-05-2026 (Quarta-feira) | 15:00 - 18:00 | 3:00 | Presencial |